
A primeira grande pancada na minha trajetória como Analista aconteceu em 2017, no episódio que ficou conhecido como o Joesley Day. Aquela manhã foi surreal, caótica e inesquecível. De um dia para o outro, o mercado brasileiro foi abalado com a delação do empresário Joesley Batista, envolvendo diretamente o então presidente Michel Temer. O resultado foi imediato e devastador: o Ibovespa despencou, acionando o Circuit Breaker logo após a abertura do pregão.
Sem exagero, posso afirmar que aquele foi um dos dias mais difíceis da minha carreira. Além do prejuízo financeiro evidente, a sensação de não estar emocionalmente preparado para lidar com uma crise tão repentina e intensa deixou marcas profundas. O mais doloroso não foram os erros que cometi na minha própria conta, mas sim a sensação de impotência por não conseguir orientar adequadamente meus clientes naquele momento crítico.
A importância do controle emocional
A grande lição do Joesley Day não foi técnica, mas emocional. Operar sob pressão extrema expôs uma vulnerabilidade que, até então, eu não havia enfrentado tão claramente. Naquele dia, entendi que sucesso no mercado financeiro não depende apenas de boas análises ou setups técnicos perfeitos; depende, acima de tudo, do controle emocional.
Os erros cometidos sob pressão
Naquela manhã turbulenta, cometi erros básicos:
- Não consegui interpretar corretamente o fluxo do mercado.
- Permiti que as emoções dominassem minhas decisões.
- Hesitei quando deveria ter agido com rapidez e clareza.
Esses erros poderiam ter sido evitados se eu tivesse preparado minha mente para situações extremas.
Transformando o aprendizado em estratégia
Após essa experiência, passei a investir intensamente na preparação emocional. Comecei a estudar técnicas de gerenciamento emocional, entender os gatilhos que geravam ansiedade e treinar estratégias para manter a calma e a clareza em momentos críticos. Também aprimorei minha habilidade de leitura de fluxo sob condições extremas.
O legado das crises seguintes
Essa preparação fez toda a diferença em crises subsequentes. Durante a greve dos caminhoneiros em 2018, já consegui agir de forma mais assertiva, evitando grandes perdas. Mas o verdadeiro teste veio em 2020, com a crise provocada pela pandemia do Covid-19.
Estratégia clara: preservação do capital
Em 2020, com os primeiros sinais da crise, a decisão foi rápida e clara: proteger o capital. Zerei posições rapidamente, seguindo uma estratégia pré-definida, sem hesitação. Essa postura garantiu não apenas a preservação do patrimônio, mas também a possibilidade de aproveitar a recuperação rápida e expressiva que se seguiu.
Conclusão: Esteja sempre preparado
O Joesley Day me ensinou que crises são inevitáveis no mercado financeiro. O que diferencia um trader bem-sucedido é sua capacidade de estar preparado para o inesperado, especialmente emocionalmente.
E você, já enfrentou uma crise parecida? Como reagiu e quais lições tirou dessa experiência?
Deixe seu comentário aqui e vamos compartilhar aprendizados!
Grande abraço,
André Moraes
Analista de Investimentos | Chairman do Trade Ao Vivo e da BFR Investimentos



