Bolsas Americanas Disparam na Semana e Apagam Queda da Guerra Tarifária

Depois de semanas de tensão e volatilidade, as bolsas americanas encerraram a semana com uma recuperação impressionante. O S&P 500 registrou nove pregões consecutivos de novas máximas, a maior sequência desde 2004, apagando as perdas acumuladas desde o início da escalada tarifária promovida pelo governo Trump.

O impulso veio de dados econômicos, negociações tarifárias com a China e os balanços das Big Techs.

Mundo: rally técnico, trégua tarifária e dados que surpreendem

A semana nos mercados globais foi marcada por um movimento coordenado de recuperação — liderado pelas bolsas americanas, mas acompanhado por Europa e Ásia. E o que parecia apenas um alívio técnico ganhou corpo com dados econômicos fortes, mudança de tom geopolítico e sinais claros de que, mesmo com as tarifas, o mundo não parou de girar.

Nos Estados Unidos, o grande destaque foi a sequência de nove máximas consecutivas do S&P 500, algo que não acontecia desde 2004. A combinação de números robustos do mercado de trabalho com uma postura mais negociadora do governo americano em relação à China trouxe fôlego aos mercados.

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Gráfico diário do SP500 com nova máxima nos últimos 9 pregões

Na sexta-feira, o payroll de abril mostrou a criação de 177 mil vagas — número acima do consenso e que reforça a resiliência da economia americana. Mesmo com juros elevados, a atividade segue firme. Isso reduziu o receio de uma recessão iminente e fortaleceu a tese de que os resultados corporativos ainda podem surpreender no segundo trimestre.

A temporada de resultados também ganhou força, e o mercado estava atento — afinal, boa parte da alta acumulada de Nasdaq, S&P 500 e até do Dow está ancorada na expectativa de lucros consistentes das Big Techs. E, no geral, as entregas vieram fortes.

Vamos aos destaques:

  • Microsoft surpreendeu positivamente, com crescimento sólido na divisão de nuvem (Azure) e um lucro por ação acima do esperado. O papel respondeu com alta imediata e sustentada ao longo da semana.
  • Apple entregou um resultado robusto, mas não empougou tanto o mercado. O  destaque foi a recuperação nas vendas de iPhones fora dos EUA, e anunciou um novo programa de recompra de ações — o maior da história da companhia. Isso
  • Amazon também superou as estimativas, principalmente com melhora nas margens da AWS (Amazon Web Services) e desempenho resiliente no varejo online. O papel subiu com força e ajudou a puxar a Nasdaq.

Mas nem tudo foi festa.

  • Tesla apresentou números que vieram abaixo do esperado em diversos pontos: margens apertadas, desaceleração em entregas e preocupações com concorrência. O papel chegou a cair forte após o resultado, e mesmo com o alívio geral da semana, a empresa ficou entre as poucas techs que não conseguiram sustentar alta.

Ainda assim, o balanço geral da temporada até aqui é positivo.

O mercado absorveu os dados com apetite, premiando as companhias que superaram expectativas e mostrando que, mesmo com juros elevados, as grandes empresas de tecnologia seguem rentáveis, eficientes e relevantes.

Esse conjunto de fatores foi fundamental para sustentar a alta do Nasdaq, que teve um dos melhores desempenhos semanais de 2025.

Além disso, o tom mais leve adotado por Donald Trump em relação à guerra tarifária também ajudou. Após semanas de confrontos públicos, Washington e Pequim ensaiaram sinais de trégua, com abertura para diálogo e revisões potenciais nas tarifas, especialmente sobre semicondutores e commodities industriais. Isso teve impacto direto nas bolsas asiáticas, especialmente na China e em Taiwan.

Desempenho semanal dos principais índices:

  • S&P 500: +2,92%
  • Nasdaq: +3,45%
  • Dow Jones: +3,00%
  • Euro Stoxx 50: +1,95%
  • DAX (Alemanha): +1,80%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +2,18%
  • Nikkei (Japão): +3,38%
  • Shanghai Composite (China): +0,68%
  • Taiex (Taiwan): +1,41%

Em resumo: uma semana que começou com expectativa de acomodação técnica e terminou com uma recuperação ampla, ancorada em fundamentos econômicos sólidos e um alívio nas tensões comerciais. Um movimento que devolve confiança ao investidor global — e, mais do que isso, reacende a perspectiva de novos topos ainda em 2025.

Brasil: perto do topo e esperando o BC

Enquanto o mundo engatava um rali consistente, o Brasil andou de lado.

O Ibovespa encerrou a semana com alta tímida de 0,29%, muito diferente da performance das bolsas americanas — e isso tem explicação. Como eu comentei na semana passada, o nosso índice já opera muito próximo do topo histórico, e regiões de topo naturalmente impõem mais dificuldade ao mercado. A tendência é que, quando o preço encosta nesses níveis, o movimento perca força — e foi exatamente isso que vimos nos últimos pregões.

Além disso, depois de várias semanas em que o índice Small Caps (SMLL) vinha superando o Ibovespa, desta vez o cenário se inverteu. O SMLL fechou em queda de 0,26% na semana, refletindo um leve esvaziamento do apetite por risco em empresas de menor liquidez.

Do lado macroeconômico, a semana foi fraca em termos de dados. O destaque ficou mais uma vez com o Relatório Focus, que trouxe uma nova revisão para baixo nas expectativas de inflação para o final de 2025. Um dado que reforça a percepção de que o cenário inflacionário segue sob melhor controle, com o dólar e taxas de juros de médio prazo pressionados e a incerteza externa ainda no radar.

Mas o mercado já está olhando para outro ponto: a decisão de política monetária do Banco Central, que será anunciada na próxima quarta-feira, após o fechamento.

Hoje, a maioria dos agentes ainda precifica uma alta de 0,50% na Selic, mas a expectativa por uma alta de apenas 0,25% vem ganhando força com os dados recentes — e, mais do que isso, o que o mercado realmente quer ver é um sinal claro de que o ciclo de alta está próximo do fim.

O grande foco será a comunicação. O que todos querem saber é: o BC vai indicar que esta será a última alta? Se vier esse sinal — de fim do aperto —, a Bolsa brasileira pode reagir bem, mesmo que a alta da SELIC seja de 0,50%. Se não vier, o mercado pode começar a precificar mais altas à frente… e isso muda completamente a dinâmica dos ativos locais.

Por enquanto, seguimos no compasso da expectativa.

Análise Técnica do Ibovespa: resistência testada, mas não superada

Do ponto de vista técnico, o Ibovespa segue respeitando o roteiro que vínhamos traçando: chegou na região de topo histórico e perdeu força.

O índice trabalhou a semana toda de forma lateral, respeitando as máximas anteriores, mas sem força suficiente para romper os 137.400 pontos — que marcam o topo histórico registrado em 2024. É uma resistência natural, psicológica e técnica, onde o mercado costuma travar, especialmente após semanas consecutivas de alta.

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Ibovespa perto do topo histórico

A boa notícia é que o Ibovespa não corrigiu com intensidade. A correção foi suave, mais no tempo do que no preço — o que indica que não houve saída agressiva de posição, mas sim uma pausa para entender os próximos movimentos, especialmente em relação ao Copom da próxima quarta-feira.

Posições técnicas importantes:

  • Resistência primária: 137.400 pontos (topo histórico)
  • Suporte imediato: 134.000 pontos — que agora serve como referência técnica caso o mercado realize
  • Suporte secundário: 132.000 pontos, média móvel de 17 períodos no diário

Enquanto estiver entre esses níveis, o Ibovespa opera em uma zona de consolidação em topo, aguardando um novo gatilho para definir se rompe ou se realiza parte do movimento recente antes de tentar de novo.

O ponto-chave agora é claro: o rompimento dos 137.400 pontos abre caminho para uma nova perna de alta, com projeções que podem levar o índice para a faixa de 140 a 142 mil. Mas, como sempre, romper topo histórico exige mais do que força — exige contexto favorável.

Se o Copom entregar um discurso equilibrado e o cenário internacional continuar colaborando, esse rompimento pode acontecer ainda na próxima semana.

Até lá, seguimos observando, com atenção redobrada nos sinais de volume, força relativa dos setores e, claro, comportamento de Petrobras, Vale e bancos — que são os ativos mais representativos do Ibovespa.

Carteira Estratégia & Timing: vendemos no topo, mas seguimos atentos ao rompimento

Como falamos no bloco anterior, o Ibovespa está muito próximo do seu topo histórico. E, como já destaquei na semana passada, topo histórico não é lugar para montar novas posições compradas — é lugar de realizar.

Foi exatamente isso que fizemos ao longo da semana.

Na parte comprada da carteira, o foco foi muito mais em sair bem das operações montadas anteriormente do que buscar novas entradas. Não que faltem ativos interessantes, mas a relação risco-retorno em níveis de topo simplesmente não justifica entradas pesadas — pelo menos não até o mercado mostrar o que pretende fazer a partir daqui.

Em paralelo, abrimos algumas posições de venda, tanto com viés técnico de correção, quanto como proteção natural da carteira, já que estamos trabalhando próximo de uma zona de exaustão. Isso nos levou a encerrar a semana com a seguinte configuração:

  • 63% do capital alocado em posições compradas
  • 44% do capital em posições vendidas
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Posições da carteira Estratégia e Timing

Ou seja, um net comprado de aproximadamente 19% — uma posição defensiva, mas ainda otimista, considerando que estamos muito perto de um possível rompimento de topo.

E aqui entra a parte mais importante da nossa estratégia: se vier a correção, queremos comprar próximo das médias, onde o risco é controlado. Mas se não vier correção e o mercado simplesmente romper o topo histórico com volume, força e participação de setores relevantes, aí nosso plano é zerar as vendas e iniciar novas compras — em papéis com potencial de buscar novos topos.

Seguimos com disciplina, respeitando o preço e confiando no plano.

Conclusão: entre o topo histórico e o próximo movimento

O Ibovespa terminou mais uma semana colado no topo histórico. Mesmo sem força para romper, também não mostrou disposição para corrigir com intensidade. O mercado está em pausa. Em observação. E, como sempre, esperando um novo gatilho.

Lá fora, o gatilho já foi disparado: as bolsas americanas engataram uma sequência impressionante de altas, amparadas por bons balanços, dados sólidos e trégua comercial. Aqui dentro, o gatilho pode ser o Banco Central.

A decisão de quarta-feira será decisiva. Não apenas pelo tamanho da alta na Selic — que, neste momento, é menos importante — mas pela comunicação que virá no pós-Copom. O mercado quer ouvir do BC que o pior já passou. Que o ciclo está perto do fim. Que o cenário de inflação segue sob controle.

Se vier esse sinal, o Ibovespa pode finalmente romper os 137.400 pontos e entrar em nova fase de descoberta de preço.

Se não vier, a lateralização pode continuar — ou até dar lugar a uma realização mais ampla, especialmente se o cenário internacional perder o fôlego.

Por aqui, seguimos fazendo o que tem que ser feito: realizando lucros onde o mercado pede cautela, protegendo capital onde o risco aumenta, e preparando o terreno para aproveitar com força as novas oportunidades que surgirem.

A disciplina segue intacta. O foco, também.

Nos vemos na próxima leitura.

Um abraço,

André Moraes

Analista de Investimentos Chairman das empresas Trade Ao Vivo e BFR Investimentos

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