
No começo da carreira, eu achava que os stops eram os responsáveis por quebrar contas.
Hoje eu sei que, na maioria das vezes, o responsável é o ego — e ele age bem antes do stop ser acionado.
Sim, é isso mesmo. O ego é sorrateiro. Ele não aparece dizendo que vai te sabotar.
Ele aparece disfarçado de confiança.
Disfarçado de convicção.
Disfarçado de autocerteza.
E quando você percebe… já clicou. Já segurou o trade demais. Já aumentou o lote.
Já perdeu o plano — e começou a operar pra provar algo, não pra seguir um método.
Os disfarces mais perigosos do ego
O ego do trader é refinado.
Ele não grita, ele sussurra:
- “Já estudei demais pra isso dar errado.”
- “Esse trade eu não aceito perder.”
- “Eu sei que vai voltar. Só preciso aguentar mais um pouco.”
- “Não posso estopar agora. É questão de honra.”
E nesse momento, você não está mais operando técnica.
Está operando vaidade.
E o mercado não respeita vaidade.
Ele respeita leitura, risco e execução.
Como o ego quebra sua conta antes mesmo do stop
- Você aumenta a mão sem critério técnico
Quer recuperar rápido, mostrar resultado. Mas expõe demais o capital. - Você ignora o plano
Pula entrada, força setup, muda o alvo no meio da operação.
Não por leitura — por necessidade de estar certo. - Você opera pra provar algo — não pra ganhar dinheiro
E quando isso acontece, você deixa de agir com clareza.
E começa a reagir com emoção. - Você sente raiva ao ser estopado
E ao invés de aprender com o erro, quer se vingar do mercado.
Resultado?
Quebra técnica. E quebra emocional.
O ego aparece muito mais nos trades certos que nos errados
Parece contraditório, mas é verdade.
Você faz um trade bom, ganha confiança — e o ego cresce. Acha que está “no momento”. Que pode arriscar mais.
E no próximo, já entra maior, mais leve, mais solto — e mais vulnerável.
A consistência começa onde o ego termina.
Como eu controlo meu ego na prática
Você não elimina o ego.
Mas pode limitar o espaço que ele ocupa dentro do seu processo.
Aqui está o que faço até hoje:
– Sigo o tamanho de mão definido no plano — mesmo após uma sequência boa
– Nunca mudo o alvo ou o stop depois de entrar no trade.
– Me pergunto: “Se esse trade der errado, eu sigo respeitando meu processo?”
– Registro o que senti no diário — não só o que executei.
– Encaro o stop como parte da profissão. Não como derrota.
O ego não quer lucro. Ele quer razão.
E é por isso que ele destrói contas mesmo antes dos stops.
Porque faz você operar com base no que sente — e não no que planejou.
Você não precisa provar nada pra ninguém.
Você precisa seguir o plano com sobriedade.
E quando fizer isso, vai perceber:
O trade mais forte que você pode executar não é o mais alavancado.
É o mais disciplinado.
Nos vemos no mercado.
André Moraes
Analista de Investimentos
Chairman do Trade ao Vivo e da BFR Investimentos



