Como uso a abertura do mercado para montar trades

A abertura do mercado é, pra mim, um dos momentos mais sensíveis — e mais estratégicos — do pregão.

É quando o emocional está mais exposto, o volume mais distorcido e as armadilhas mais comuns. Mas também é quando os ativos voláteis costumam entregar as pistas mais claras sobre o que o mercado vai querer naquele dia.

Depois de apanhar muito, aprendi que operar na abertura não é sobre pressa. É sobre leitura. E nesse texto, quero te mostrar exatamente como eu me posiciono nos primeiros minutos do dia — e como consigo encontrar trades consistentes mesmo em ações que parecem “caóticas” no intraday.

O mito da melhor hora para operar

Muita gente diz que o melhor momento para operar é “depois das 10h30”, quando o mercado está mais calmo. Não discordo totalmente, mas para mim, essa calma é ilusória quando se trata de ativos voláteis.

Papéis como PETR4, VALE3, BBAS3, BEEF3, ggbr44 e até small caps que saem de balanço costumam ter grandes movimentos logo na abertura. Se você não está atento, você perde o movimento — ou pior, entra tarde e se machuca.

Mas isso não significa sair clicando no leilão. Significa saber o que observar na abertura — e só operar com lógica a partir daí.

O que eu observo antes do mercado abrir

Antes mesmo da B3 iniciar o leilão, já estou de olho em três coisas:

  1. ADR e mercado futuro: Vale, Petro, S&P futuro, minério e petróleo. Isso me dá a leitura macro e setorial.
  2. Noticiário corporativo: resultado, guidance, fala de CEO, mudança de perspectiva de analistas — tudo isso altera expectativa.
  3. Indicação de gap no leilão: o papel vai abrir com gap? Se sim, é gap de continuidade ou possível exaustão?

Essa primeira parte é puramente contexto. E o contexto é o que decide se eu fico de fora — ou se preparo uma entrada.

Entre 9h45 e 10h05: o momento mais importante do dia

Quando o mercado abre, o que faço não é clicar — é observar.

Eu acompanho os 5 primeiros minutos com atenção redobrada. Nesse tempo, estou olhando:

  • O comportamento do preço em relação ao gap (respeita, falha ou acelera?)
  • O volume: acima da média? Distribuído? Concentrado em poucos players?
  • O comportamento dos ativos correlacionados: índice, dólar, papéis do mesmo setor

Se vejo um papel abrir com gap de alta, mas com volume fraco e candle de indecisão, eu já sei: vou esperar. Talvez venha um pullback. Talvez uma armadilha. Mas não é hora de agir.

Agora, se vejo gap com força, continuidade, volume crescente e book firme, posso buscar o rompimento da máxima da primeira barra com alvo técnico.

Dois padrões que opero com frequência na abertura

1.      Armadilha de abertura (o que mais gosto):

  • O papel abre com gap de alta (ou baixa), forma candle de exaustão e no candle seguinte perde a mínima (ou máxima).
  • Entro contra o gap, buscando o fechamento da abertura ou a média de 17 no 5min.

2. Rompimento da primeira barra com volume:

  • Papel abre consolidado, forma um candle forte e o segundo candle rompe a máxima (ou mínima) com volume crescente.
  • Entro na direção da quebra, com stop técnico e alvo no próximo nível relevante.

Esses dois setups funcionam bem em papéis líquidos, com contexto definido e fluxo institucional participando.

Como eu me protejo da armadilha da euforia

No calor da abertura, a pior decisão é antecipar o que o mercado ainda não mostrou.

Por isso, eu nunca:

  • Entro no leilão (a não ser em casos muito específicos)
  • Coloco ordens pré-definidas antes do candle fechar
  • Opero baseado em “o que o papel fez ontem”

Prefiro perder o início do movimento do que ser engolido pela volatilidade do susto.

A mentalidade certa pra operar a abertura com segurança

Se tem uma coisa que ensino sempre é: você não está no mercado pra acertar a mínima ou a máxima.

Você está aqui pra operar com clareza. E clareza na abertura só vem com leitura, paciência e controle emocional.

Ativos voláteis entregam grandes oportunidades logo cedo. Mas só pra quem consegue ler o que o preço está contando — e agir com método.

A abertura é terreno fértil — pra quem sabe ler o terreno

Se você encara a abertura como uma corrida contra o tempo, já começou o dia errado.

Agora… se você encara como uma janela de leitura estratégica, onde os ativos mostram sua direção e o fluxo revela o interesse real… aí sim, você vai ver como é possível operar mesmo ativos voláteis com tranquilidade e precisão.

Nos vemos na primeira barra.

André Moraes

Analista de Investimentos

Chairman do Trade ao Vivo e da BFR Investimentos

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