Ibovespa sobe apesar do conflitoSemana Sem Cortes – 10 a 14 de Junho de 2025

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Depois de três semanas de correção, o Ibovespa voltou a subir — e o mais surpreendente: em meio a uma das maiores tensões geopolíticas do ano.

A semana começou bem, com dados de inflação tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos vindo abaixo do esperado, o que animou os mercados e reforçou a tese de que o pior da pressão inflacionária já passou. Além disso, a guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter entrado numa nova fase, com os dois países sinalizando um acordo parcial sobre tarifas, algo que até pouco tempo atrás parecia improvável.

O clima era positivo. Mas, como sempre, o mercado financeiro não gosta de estabilidade por muito tempo.

Na noite de quinta-feira, Israel bombardeou o Irã. Na sexta-feira, veio o revide iraniano. A tensão militar ganhou força e jogou incerteza sobre os mercados globais.

Mesmo assim, o Ibovespa resistiu. Enquanto as bolsas internacionais perderam força e o petróleo disparou, o índice brasileiro segurou firme e encerrou a semana em alta, quebrando uma sequência de três semanas de queda.

Vamos entender o que segurou o mercado por aqui, como o mundo reagiu ao novo cenário de conflito, e o que observar nos próximos dias para não ser pego no contrapé.

Mundo: inflação alivia, tarifas esfriam — e o conflito esquenta

A semana internacional começou com o pé direito.

Na quarta-feira, os dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos (CPI) vieram abaixo do esperado, dando força à tese de que o Federal Reserve pode começar a cortar juros em duas reuniões ainda este ano. No Brasil, o IPCA também surpreendeu positivamente, reforçando a percepção de que os núcleos de inflação estão cedendo — o que foi lido como mais um sinal de que o ciclo de aperto monetário está no fim, ou quase.

Como se não bastasse, ainda tivemos avanços na relação comercial entre Estados Unidos e China. Após anos de tensão e idas e vindas, ambos os lados sinalizaram que estão próximos de um “meio-termo tarifário”, que pode destravar fluxos e melhorar a previsibilidade para empresas expostas ao comércio internacional.

Ou seja: tudo caminhava para uma semana de alívio.

Mas na noite de quinta-feira, o noticiário geopolítico azedou. Israel bombardeou alvos militares no Irã, em resposta a movimentações recentes da Guarda Revolucionária iraniana. Na sexta-feira, o Irã revidou com ataques localizados a bases israelenses em regiões da fronteira norte.

O mercado reagiu com nervosismo:

  • O petróleo disparou mais de 7%.
  • As bolsas americanas perderam força no final da sexta.
  • E o clima de aversão a risco voltou a pairar sobre os mercados globais.

Os principais índices encerraram a semana com viés negativo:

  • S&P 500: -0,39%
  • Nasdaq: -0,44%
  • Dow Jones: -1,32%
  • Euro Stoxx 50: -2,26%
  • DAX (Alemanha):  -3,24%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,07%
  • Nikkei (Japão): -0,15%
  • Shanghai Composite (China): -1,59%

O saldo da semana foi negativo e com um alerta aceso. A tensão no Oriente Médio pode escalar. E isso, mesmo que não afete diretamente as economias centrais, tem impacto imediato nos preços de petróleo, moedas e ativos sensíveis a risco.

Brasil: inflação alivia, Ibovespa sobe — e Petrobras volta ao jogo

Por aqui, a semana foi de recuperação de algumas Blue Chips. Principalmente Petrobras.

Depois de três semanas consecutivas de correção, o Ibovespa voltou a fechar no positivo, sustentado principalmente por três fatores:

  1. Inflação abaixo do esperado, que reforça a leitura de que o ciclo de juros está realmente próximo de se encerrar.
  2. Resiliência global diante do aumento das tensões entre Israel e Irã, que poderia ter derrubado os mercados, mas encontrou compradores em setores específicos.
  3. Alta do petróleo, que recolocou Petrobras no radar, após semanas de pressão.

A Petrobras foi um dos grandes destaques da semana. Com o petróleo Brent subindo mais de 11% na semana diante do risco de escalada no Oriente Médio, a ação reagiu com força, colaborando de forma decisiva para a recuperação do Ibovespa.

Esse movimento ganha ainda mais peso porque acontece após um período de realização prolongada, em que os papéis da estatal vinham sendo pressionados tanto por preço da commodity quanto por incertezas políticas.

No fechamento da semana:

  • Ibovespa subiu 0,82%
  • Small Caps também subiram, mas com menor intensidade
  • Setores mais ligados à economia doméstica ainda mostraram cautela, mas sem venda agressiva

Foi uma semana em que o Brasil andou na contramão do medo externo, e isso mostra que o investidor local ainda está confiando no cenário estrutural da Bolsa — mesmo com um ambiente internacional barulhento.

Análise Técnica do Ibovespa: suporte respeitado, retomada em curso

Tecnicamente, o Ibovespa fez exatamente o que se espera em uma tendência de alta saudável: Corrigiu por três semanas, respeitou suporte importante e, na primeira oportunidade com fundamentos, voltou a subir com convicção.

A alta de 0,82% na semana pode não parecer expressiva à primeira vista — mas ela carrega um peso técnico importante. O índice respeitou a faixa de suporte entre 135.800 e 137.200 pontos, região onde passam as principais médias móveis diárias e o topo anterior rompido em abril.

Figura 1: Gráfico Diário do Ibovespa

Esse movimento reforça a leitura de que o mercado está apenas respirando antes de tentar um novo avanço.

Níveis técnicos principais:

  • Suporte imediato: 135.000 pontos (médias móveis e região de fundo recente)
  • Suporte secundário: 133.000 pontos (estrutura de alta no gráfico diário entraria em alerta abaixo desse patamar)
  • Resistência imediata: 140.400 pontos (máxima das últimas semanas
  • Alvo técnico para retomada: 145.000 a 150.000 pontos, caso o rompimento ocorra com volume

A leitura segue construtiva. O mercado corrigiu no tempo e no preço, absorveu tensão externa e mostrou que, se vier uma trégua geopolítica nos próximos dias, tem espaço técnico para buscar novas máximas ainda em junho.

Para quem está fora, o melhor ponto de entrada pode estar logo ali. E para quem está dentro — e posicionado com critério — o cenário segue positivo.

Carteira Estratégia & Timing: a semana mais complexa dos últimos meses

A Carteira Estratégia & Timing teve, sem dúvida, a semana mais complexa dos últimos tempos.

Alguns papéis estratégicos não performaram bem, especialmente ativos ligados à economia doméstica que ainda sentem o peso da volatilidade externa e da seletividade setorial. Isso trouxe um pouco de correção para a carteira. Mas, ao mesmo tempo, tivemos acertos importantes em papéis mais defensivos e em posições vendidas — o que nos permitiu fechar a semana muito bem estruturados.

Figura 2: Carteira Estratégia e Timing

Diante do aumento de tensão no noticiário internacional, com o conflito entre Israel e Irã, a decisão foi clara: cautela.

Encerramos a sexta-feira com a seguinte configuração:

  • 52% do capital alocado em posições compradas
  • 43% do capital em posições vendidas
  • Ou seja, um net comprado de apenas 9%

Long & short na prática. Protegidos contra movimentos bruscos, mas com flexibilidade suficiente para virar a mão, caso o cenário mude na segunda-feira.

Essa é a vantagem de operar com clareza: Não é sobre prever o futuro. É sobre estar preparado para qualquer cenário que ele traga.

Conclusão: quando o mundo complica, a estratégia precisa simplificar

Foi uma semana que tinha tudo para dar errado — mas terminou no positivo.

Entre dados de inflação surpreendendo para baixo, avanço em acordos comerciais e um novo foco de tensão no Oriente Médio, o mercado mostrou o que ele é de verdade: um organismo que reage, reequilibra e testa quem está no controle.

O Ibovespa voltou a subir, após três semanas de queda. A Carteira Estratégia & Timing sofreu um tanto, mas continuamos com uma alocação equilibrada, protegida e pronta para responder ao que vier. E o investidor que entendeu que correção não é colapso — é oportunidade — terá a chance de colher os frutos nas próximas semanas, onde espero que o barulho não vença a lógica.

Seguimos com o que nunca falha:

  • Clareza no cenário
  • Disciplina na execução
  • E leitura no preço

Se a tensão escalar, estamos preparados. Se o alívio vier, também.

Porque no final das contas, não é sobre prever. É sobre estar pronto.

Nos vemos na próxima leitura. Boa sorte a todos — e bons trades!

Um abraço, André Moraes Analista de Investimentos Chairman das empresas Trade Ao Vivo e BFR Investimentos

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