Inflação faz preço na Bolsa Brasileira – SEMANA SEM CORTES 24 a 29/03/25

Desde que comecei no mercado financeiro, percebi uma coisa: boa parte dos textos e análises disponíveis mais confundem do que ajudam. Frases como “os mercados apresentam volatilidade” ou “os investidores seguem atentos aos próximos dados” são frequentes, mas dizem muito pouco. E deixam de responder à pergunta que realmente importa: é hora de comprar ou de vender?

Hoje, quero ser direto com você, investidor. E te ajudar a enxergar além do ruído.

E para começar a te explicar como foi a semana, vamos ao que tivemos de mais importante aqui no Brasil: o Relatório Focus. Nesta última segunda-feira, o mercado recebeu um sinal importante: estabilidade na inflação.

Após vinte semanas consecutivas de alta nas projeções de inflação para o final de 2025, vimos duas semanas seguidas de estabilidade na projeção do IPCA neste relatório. À primeira vista, pode parecer uma mudança sutil — mas no mercado, isso é um alívio. E quando o mercado respira, ele reage.

Abaixo, compartilho um gráfico que mostra exatamente a evolução das projeções de inflação (IPCA) para o final de 2025, segundo o Boletim Focus, com dados desde o início de 2024 até o presente momento:

Observe o que esse gráfico revela: Entre janeiro e outubro de 2024, víamos uma leve tendência de alta nas projeções — reflexo das incertezas fiscais e das dúvidas sobre a condução da política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Mas, a partir de novembro, essa tendência se intensificou. A perspectiva de inflação disparou, e o Banco Central respondeu subindo fortemente a taxa SELIC, com sinalizações de novas altas para 2025.

Esse movimento de alta persistiu até o fim de janeiro. Depois disso, começamos a ver algo diferente: primeiro, uma desaceleração; e agora, nas últimas duas semanas, uma estabilização — o primeiro sinal de que a pressão inflacionária está cedendo.

No gráfico abaixo, vemos o delta de variação da perspectiva do IPCA, semana a semana, segundo o Relatório Focus. Perceba que, a partir de janeiro de 2025, esse delta foi diminuindo progressivamente, ficando negativo pela primeira vez em muito tempo no relatório de duas semanas atrás.

Esse tipo de inflexão, ainda que sutil, mexe com o sentimento do mercado. Porque não é só uma questão técnica — é psicológica também. O mercado percebe quando o pior começa a ficar para trás… e se antecipa.

A reação apareceu, especialmente, nas ações mais sensíveis à taxa de juros: Small Caps e médias empresas. Só pra ilustrar, o índice Small Caps superou o desempenho do Ibovespa em quase 1% na semana. No mês, a diferença de variação a favor do índice Small também é de 1%. Isso mostra que o mercado começou a precificar um cenário mais positivo para um tipo de empresa que vinha sofrendo muito nos últimos meses.

E o que isso significa na prática?

Calma. Deixa-me falar mais um pouco de Brasil.

Além do alívio com o Relatório Focus, tivemos outros dados importantes que ajudaram a mudar o humor do mercado ao longo da semana.

Na quarta-feira, o IPCA-15 veio levemente abaixo das expectativas. Isso foi suficiente para reforçar a ideia de que a inflação pode estar, de fato, começando a ceder — algo que o mercado já vinha tentando antecipar.

Na sequência, o IGP-M também surpreendeu positivamente, com queda maior do que a esperada. Embora hoje ele tenha peso menor nas decisões do Banco Central, ainda funciona como um termômetro da pressão inflacionária e ajudou a compor esse sentimento de alívio.

Outro ponto relevante foi a Ata do Copom, publicada na terça-feira pela manhã. O tom do documento foi mais suave do que o mercado temia. Ficou claro que o Comitê não trabalha mais com a possibilidade de uma nova alta de 1 ponto percentual na Selic. O cenário agora está mais para uma elevação que, eu acredito, será de 0,50% — o que trouxe um pequeno alívio nas expectativas futuras de juros.

E, fechando a semana, os dados do Caged surpreenderam positivamente. A criação de empregos formais veio muito acima do esperado, e isso teve impacto direto na Bolsa: o Ibovespa, que vinha operando com forte queda, recuperou parte do tombo após a divulgação deste dado. Isso mostra o quanto o mercado está sensível a boas notícias — principalmente quando elas vêm da economia real.

Esses quatro dados — IPCA-15, IGP-M, Copom e Caged — se somaram ao Relatório Focus e ajudaram a construir um novo pano de fundo para os ativos brasileiros. Um pano de fundo mais leve, mais racional, e talvez mais otimista do que o que vimos nos meses anteriores.

E os Estados Unidos?

Nos Estados Unidos, a semana também foi pesada para os mercados.

Tivemos quedas acentuadas nos principais índices: o Nasdaq caiu algo em torno de 2,80%, o S&P 500 recuou 1,90% e o Dow Jones perdeu 1,30%. O destaque negativo ficou novamente com o setor de tecnologia, que seguiu pressionado — e, na minha leitura, o principal gatilho para esse movimento foram as crescentes tensões envolvendo políticas comerciais.

Mas, de Estados Unidos, por hoje é só. Na semana que vem, vou publicar um artigo dedicado exclusivamente ao que está acontecendo com o mercado de ações americano. Muita gente vê os níveis atuais como uma oportunidade de compra. E, claro, eu nunca vou subestimar o mercado americano — afinal, ele sobe há incríveis 16 anos. Mas, dessa vez, eu vejo sinais de que essa correção pode ter raízes mais profundas.

E o cenário técnico?

O Ibovespa encerrou a semana com uma leve queda de 0,33%, após três semanas consecutivas de alta. O índice saiu da região dos 122.500 pontos e chegou a alcançar os 134.000 pontos na quinta-feira. Na sexta, houve uma correção, mas ainda assim estamos falando de uma valorização de aproximadamente 9% — um movimento expressivo.

esse avanço se encaixa no padrão da Onda 3, segundo a Teoria de Ondas de Elliott. Essa onda costuma ter pelo menos o mesmo tamanho da Onda 1, o que projeta um alvo em 134.234 pontos — patamar que o Ibovespa já chegou muito perto de alcançar.

Se esse ponto dos 134.000 for rompido, o próximo objetivo técnico passa a ser o topo histórico do índice, em 137.500 pontos. E, mais acima, teríamos uma projeção equivalente a 161% da Onda 1 — o que nos leva a um alvo em torno de 142.000 pontos.

Apesar de todos os dados positivos que mencionei anteriormente, o Ibovespa terminou a semana no vermelho, caindo 0,33%. O índice Small Caps performou melhor do que o Ibovespa. Quando tiramos o peso das grandes Blue Chips e distribuímos o desempenho por empresas pequenas e médias, o cenário muda: o índice terminou a semana com alta de 0,44%.

Tudo isso aconteceu numa semana em que o mercado americano, motor do mundo, teve quedas superiores a 2% em alguns de seus principais índices. Ou seja, entendo que a semana foi positiva para o nosso mercado.

E como anda a carteira Estratégia e Timing?

Pois bem, terminamos a semana mais uma vez no nosso topo histórico. Ainda estamos posicionados em vários ativos, principalmente com uma mudança na dinâmica da carteira — que deixou de ser mais voltada para dividendos e passou a focar em empresas de crescimento.

Fechamos a semana com 73% do capital alocado em posições compradas e 44% em posições vendidas. É importante destacar que parte dessas posições vendidas está ligada a operações mais complexas de proteção (hedge), e parte são apostas em ativos descorrelacionados com o Ibovespa.

E ainda é hora de comprar?

Com toda essa alta recente, surge uma dúvida comum: ainda é hora de comprar?

Entendo que a maioria das boas operações de curto prazo já se concretizou. Muitos ativos se afastaram demais das médias, estão esticados. Neste momento, minha leitura é que o melhor movimento seria aguardar uma correção mais clara do mercado — ou, pelo menos, uma lateralização nos níveis atuais. Se isso acontecer e vier acompanhada de um rompimento da resistência dos 134 mil pontos, acredito que novas oportunidades surgirão com mais clareza.

E o médio e longo prazo?

Para o médio e longo prazo, eu estou surpreendentemente otimista. Acredito que quatro gatilhos importantes podem ser disparados ainda neste semestre: eleições presidenciais no Brasil, inflação sob melhor controle, fluxo estrangeiro voltando para a Bolsa dos países emergentes e, por fim, uma Bolsa brasileira extremamente barata. Esse coquetel, se bem alinhado, pode criar o que eu considero a melhor oportunidade de compra da década na Bolsa brasileira.

Sobre esse “Call da Década”, eu falo na semana que vem. Construí uma tese completa, com mais de cinquenta páginas, explicando detalhe a detalhe o que eu acredito que vai acontecer nos próximos dezoito meses.

Se esse artigo te ajudou a enxergar o cenário com mais clareza, compartilhe com outros investidores e deixe sua opinião nos comentários. Nos vemos na próxima leitura.

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