
No mercado, o que diferencia quem sobrevive de quem quebra não é apenas a técnica. É a capacidade de aprender com os próprios resultados e transformar cada semana em matéria-prima para a semana seguinte.
Já perdi a conta de quantas vezes ouvi Traders me dizerem: “André, eu opero todo dia, mas parece que não evoluo.” Quando revisamos juntos, fica claro: o problema não estava na execução, mas na ausência de revisão estruturada.
Por isso, quero compartilhar aqui a minha estratégia pessoal para revisar o desempenho semanal com eficiência. Não é burocracia. Não é uma planilha bonita para postar. É um processo real, testado em mais de 20 anos de tela, que me ajuda a identificar padrões, corrigir desvios e fortalecer a disciplina.
Por que revisar semanalmente?
Muita gente já entende a importância da revisão diária. Mas por que a semanal é tão importante?
- Distanciamento emocional: ao olhar o consolidado da semana, você enxerga além da emoção do último trade.
- Identificação de padrões: erros e acertos isolados podem parecer ruído. Mas quando repetem em uma semana, viram padrão.
- Avaliação de consistência: a semana é o ponto médio entre a execução diária e o resultado mensal.
- Ajuste de rota: é mais fácil corrigir em 5 dias do que esperar o mês inteiro.
Em resumo: a revisão semanal não substitui a diária. Ela complementa, dando contexto e clareza.
O passo a passo da minha revisão semanal
Minha estratégia tem cinco etapas simples, mas profundas.
1. Consolidar os números
O primeiro passo é objetivo: juntar todos os dados da semana.
- Quantidade de operações.
- Quantos gains, quantos stops.
- Percentual de acerto.
- Lucro líquido e bruto.
- Custos operacionais.
- Tamanho médio de posição.
Não é só olhar o P/L final. É destrinchar para ver de onde ele veio. Muitas vezes, um bom resultado esconde erros. E um resultado ruim esconde disciplina bem aplicada.
2. Revisar operações dentro e fora do plano
Aqui entra a parte qualitativa. Para cada operação da semana, pergunto:
- Esse trade estava no meu setup?
- O stop foi respeitado?
- A entrada foi no ponto certo?
- O lote foi adequado ao risco?
- O motivo da saída foi técnico ou emocional?
Separar operações dentro do plano das que foram fora do plano muda tudo. Porque no longo prazo, não é o resultado financeiro que importa. É a proporção de trades em que você conseguiu executar o processo corretamente.
3. Analisar padrões de comportamento
Depois de revisar trade a trade, busco padrões.
- Houve overtrading em algum dia?
- Saí antes da hora em algum padrão recorrente?
- Aumentei mão em dias ruins?
- Me senti mais confiante em ativos específicos?
Essa análise é mais emocional do que técnica. É aqui que você percebe como sua mente reagiu ao mercado.
4. Revisar contexto de mercado
Nem sempre o erro é pessoal. Às vezes, o mercado estava difícil. Pouca liquidez, muita volatilidade, ruído de notícias.
Então pergunto:
- Os dias difíceis foram por indisciplina ou pelo contexto do mercado?
- Eu forcei entradas em dias sem tendência?
- Consegui reduzir risco em semanas mais desafiadoras?
Essa etapa evita cair na armadilha de achar que tudo depende apenas de você. Trader profissional respeita o contexto.
5. Definir ajustes para a próxima semana
Não adianta revisar se não transformar em ação. Por isso, sempre encerro a revisão com três perguntas práticas:
- O que vou manter igual na próxima semana?
- O que preciso ajustar?
- O que devo evitar completamente?
Essas respostas viram um pequeno plano escrito, que coloco na minha mesa para revisar todo dia antes do pregão.
Como registro a revisão
Uso uma planilha simples, dividida em duas partes:
- Parte quantitativa: números da semana, métricas, estatísticas.
- Parte qualitativa: anotações de comportamento, erros, ajustes.
Não gasto mais que 40 minutos nessa revisão. Mas esses 40 minutos economizam meses de repetição de erros.
Um exemplo prático de revisão real
Semana X:
- 18 operações.
- 10 gains, 8 stops.
- Lucro líquido de 2,3%.
- 14 trades dentro do plano, 4 fora.
Padrões observados:
- Saí antes do alvo em 3 operações por medo de devolver.
- Dois dias de overtrading após tomar stops seguidos.
- Setup de rompimento funcionou melhor do que pullbacks.
Ajustes definidos:
- Reduzir lote em dias de stops consecutivos.
- Respeitar alvos nos setups de continuação.
- Operar menos em dias de mercado lateral.
Essa revisão simples já muda completamente a postura para a semana seguinte.
O lado emocional da revisão
Não adianta revisar só números. A parte emocional é o coração da consistência.
Sempre anoto:
- Como me senti em cada dia da semana.
- O que me incomodou.
- O que me deixou confiante.
Isso ajuda a perceber que o mercado é reflexo da sua mente. Se você entrou estressado, dormiu mal ou estava ansioso, a revisão mostra a correlação entre sua vida e sua performance.
O que ensino aos meus alunos
Sempre digo:
“Trader que não revisa está condenado a repetir os mesmos erros.”
E complemento:
- “Revisão semanal não é vaidade. É manutenção preventiva da sua carreira.”
- “O lucro do mês depende da disciplina da semana.”
- “Não espere o resultado ruim para começar a revisar. Revise sempre, até nos bons momentos.”
Checklist final da revisão semanal
- Consolide os números.
- Separe trades dentro e fora do plano.
- Analise padrões de comportamento.
- Revise o contexto de mercado.
- Defina ajustes claros para a próxima semana.
Simples. Direto. E transformador.
Conclusão: consistência é construída semana a semana
O trade não se ganha em um dia. Nem em um mês. Ele se constrói semana após semana, na soma de pequenas decisões corretas.
Revisar seu desempenho semanalmente é a forma mais eficiente de acelerar aprendizado, reduzir erros e ganhar confiança.
Não é burocracia. É estratégia. E é isso que diferencia o amador do profissional.
Nos vemos no mercado. Com clareza, revisão constante e disciplina semanal.
André Moraes
Analista de Investimentos
Chairman do Trade Ao Vivo e da BFR Investimentos



